Curitiba e seus incidentes

Era quinta feira, 19 de maio e tinha chegado a hora de ir pra Curitiba. Fim de semana em Curitiba com corrida é bom demais. Adoro CWB. Vôo 3007 da TAM, embarque no portão 13. Isso é um saco em Congonhas, os portões com numeração acima de 12 são sempre servidos por ônibus e não por “fingers”.

O Vôo foi tranqüilo, e eu ia direto do Aeroporto pro autódromo pois havia alugado um Motorhome que vai me servir em todas as corridas fora de São Paulo. Como minha esposa e filha iriam no sábado, em função das aulas desta última, pensei em alugar um carro, caso elas quisessem sair. Então encontrei o Rafael Derani no saguão e ofereci-lhe carona, já que ele também ia pro autódromo.

Como não sou versado nas ruas locais, queria um carro com GPS e comecei a procurar nos diversos balcões das locadoras até que na AVIS a moça disse que tinha um carro com GPS disponível, mas que seria do grupo G. Então eu disse que o que importava era o navegador e “deal”.

Neste momento encontramos o Magrão que nos fazia companhia. Aí fomos pro lado de fora pegar a van que nos levaria até a garagem e eis que surge uma Perua Vermelha e branca com uma moça na direção, que se achava a piloto. Bom, chegamos meio assustados, mas inteiros e ela também é quem entregava os carros. Aí eu vi um Astra Preto, com muitas avarias na lataria, mas o que me interessava era o GPS. Então perguntei a ela se o GPS já estava instalado e ela me disse que não constava o aparelho no meu pedido. Uma coisa que melhora a partir de certa idade é que você controla um pouco mais as reações do seu humor. Não bastasse isso o carro falhava, estava com mais de71.000 Km. Vai ser difícil a empresa recuperar o cliente.

Mas tínhamos um mapa do aeroporto e o celular do Rafa e fizemos um caminho supimpa.

Coloquei as coisas no motorhome me troquei e fui pra pista.

O Burti já estava lá e ia sair com o carro para verificar o set up inicial. Ainda estamos com os problemas eletrônicos que experimentamos na preliminar da Indy, aquiem São Paulo.

Fizemos um bom treino na quinta, na primeira sessão e verificamos que havia uma fissura na tampa da caixa de câmbio, o que nos impediu de andar na segunda sessão.

Na noite de quinta tive uma experiência bem legal, que foi a companhia do pessoal que dorme no autódromo, pilotos, caminhoneiros, seguranças, cozinheiros, enfim é uma grande festa. O pessoal da ATW fez um caldo de mandioca delicioso, com chopp Itaipava, evidentemente. Simplesmente chic. Altas e divertidas risadas, com gente divertida, tudo muito alegre.

Sexta feira começa e você estar no autódromo o tempo todo ajuda bastante. A terceira sessão de treinos começou e conseguimos dar quatro voltas, inteirinhas…

Quando o câmbio foi recolocado, de alguma forma, dois dos quatro fios da sonda lambda estavam rompidos e o carro falhava muito.

Trocamos a peçae o Burtimarcou  o 2º tempo da sessão, ficando apenas atrás do Allan, com 1:24:426. O tempo era, sem dúvida alviçareiro.

Na 2ª Sessão da sexta, com problemas de mapeamento do AIM, voltamos a ficar parados no Box, mas o Willian fez o melhor tempo desta feita.

Já no sábado, os problemas continuaram e não saímos para a 3ª e última sessão de treinos; ficamos vendo do Box , o Willian estabelecer 1;23:2, um temporal.

Já na classificação da primeira corrida, o Willian arrasou, com 1:22:9 e fez pole. O Burti foi terceiro , com 1:23:512, deixando o Allan entre os dois Ginettas. Tava tudo ótimo, de novo, embora os problemas eletrônicos permanecessem.

Na classificação para a prova de domingo, eu saí com o carro 81 e, exceto pelo cheiro de óleo de câmbio dentro carro, que reputei, de início, a um eventual excesso que teria vazado pelo respiro, o carro estava ótimo.

Saí, dei uma volta, e vi o Marçal espetado no muro, na mesma curva em que ele havia batido no ano passado, vi que ele estava bem, mas fiquei preocupado que ele tivesse ficado com algum trauma psicológico e resolvi que trataria disso mais tarde. Bandeira vermelha; entrei no Box, o pessoal recalibrou os pneus e saí novamente.

O carro foi me premiando com tempos cada vez mais baixos; de 1:41:2, foi pra 1:27:4, depois para 1:26:148 e , na volta seguinte aumentou um pouco o cheiro de fumaça de óleo de câmbio e tive a impressão de ter errado uma marcha, mas mesmo assim fechei a volta em 1:26:5. Passei na frente dos boxes, me concentrando para não cometer erros naquela volta, fiz um primeiro trecho bom, mas os segundo e terceiros trechos foram excepcionais, tanto que o Dragão pegou o rádio e estava eufórico, dizendo que eram as melhores marcas daquela sessão. Mas aí, saí do S de alta, me encaminhando pra Curva da Vitória, em 4ª marcha, esticando até a freada e quando fui colocar terceira, uma explosão dentro do carro, barulho feio de engrenagens se desencontrando e pensei “ferrou o câmbio- acabou o fim de semana”. Sem conseguir engatar nenhuma marcha, o carro foi perdendo velocidade até parar depois da Vitória, estragando o que poderia ter sido a minha primeira pole position da carreira. Prevaleceu o velho ditado inglês “shit happens”.

Mesmo assim, fiquei com o 4º melhor tempo.

Depois ao desmontar o carro vimos que o diferencial havia explodido. Quebrou a tampa de alumino porque as engrenagens se encavalaram.

A CRT/Dragão, trabalhou incrivelmente e aprontaram tanto o meu carro como o do Marçal para a largada da primeira corrida. O Burti largou e vinha fazendo uma corrida muito boa, mantendo um bom 3º lugar, posição na qual me entregou o carro. Mas devido aos problemas eletrônicos, tivemos que cancelar o limitador de velocidade na área de Box e eu fui limitando no visual, olhando pro radar e mantendo a velocidade entre 54 e58 Km/h. Quando estava a uns10 mdo radar, a uns56 km/h, resolvi acelerar e o carro pulou pra65 km/h, resultando em um drive-tru.

Foi o suficiente para cair pro 5º lugar e dar adeus às pretensões de vitória.

Aí resolvi me divertir e acho que fiz uma corrida impecável,e o Dragãono meu ouvido me empurrando pra cima dos carros à frente dizendo que eu estava chegando no Laganá e eu procurando a Ferrari 57e nada… Viaa Ferrari do Mesquita se aproximando mais e mais a cada volta, mas nada do Laganá, que sabia ser o 2º. Então não tinha certeza da minha colocação, pensei que o Mesquita estivesse atrás e que o alvo era o Laganá. Enquanto isso lá na GT3 , nas últimas 3 voltas tivemos 3 líderes diferentes o que tornou essa prova a melhor que já participei, sendo que o Pedrão confirmou o que tinha previsto a ele e ganhou a corrida!!! Nos últimos200 metros! Foi sensacional. Mas eu cruzaria em 4º na GT4, sendo que o Marçal já havia cruzadoem primeiro. Maravilha.Tinhasuperado qualquer trauma e ganho a corrida pra gente.

Quando cheguei aos Boxes muitos mecânicos e amigos vieram me saudar. Todo o pessoal do Manelão me esperando, a minha equipe em pesoe o Burtime aplaudindo. Foi muito emocionante. Sabia que tinha feito um belíssima apresentação e que por um erro besta havia que me conformar com a 4ª colocação.

Bom, no domingo acordei pensando que tinha ótimas chances de vitória e fui para o grid me doutrinando a fazer uma corrida de espera até que pudesse passar as Ferrari a minha frente. Mas quem disse que eu consigo! Pra variar, larguei mal e o Laganá me passou, me deixando em quinto e então eu via que o Marçal tinha feito uma boa largada e que estava juntocom o MarceloSant´Ana atrás de mim. Me sentia muito mais rápido que o Laganá  e fui me reaproximando dele e no final da segunda volta ultrapassei a Ferrari 57, por fora, na curva da vitória. Nossa foi um prazer orgástico! Aí comecei a perseguir o Rosseti e quando grudei no câmbio da outra Ferrari, houve a entrada do Safety Car, porque o meu amigo Vanuê havia batido na saída da Vitória. Relargamos e senti que o carro já não estava tão estável como no começo, porque tinha que aliviar mais entre uma perna e outra do S de alta, que antes eu fazia quase de pé cravado. Chegava no Rosseti no miolo mas ele fechava a porta com a experiência de veterano campeão que ele é. Aí saia da Vitória emparelhado com ele e até o final da reta ele já tinha enfiado dois carros de vantagem. Chegava, novamente na freada do S de baixa e até mostrei o carro de lado pra ele na curva de alta que antecede o Pinheirinho, mas ele não se intimidou e me manteve atrás. Enquanto isso, os pneus estavam subindo de pressão e os freios igualmente se aquecendo por ficar muito grudado na Ferrari que, inclusive porque tem o motor na traseira, colaborava pra esquentar ainda mais o conjunto do Ginetta. Tudo isso somado, soubemos depois de verificar os dados do AIM, que houve fade do freio e que a pressão dos pneus havia se elevado sobremaneira.

Então depois de três voltas atrás do Rosseti, na freada pro S de baixa, o carro se desequilibrou, e no susto apliquei uma força 50% maior do que a que vinha aplicando, no freio e depois de tentar segurar, sem sucesso, acabei rodando e sem deixar o carro perder muito tempo voltei atrás do Marçal.

Analisando juntocom o Burtios dados do computador, chegamos a conclusão que o fade no pedal do freio pode ter me assustado, fazendo com que freasse com força excessiva, travando as rodas traseiras  e tirando o Ginetta do meu controle. A condução de uma carro sem ABS e sem controle de tração é muito delicada e as alterações de “humor” do carro e do piloto têm que ser igualmente sensíveis.

Mas a corrida ainda não estava perdida, porque continuei virando rápido e entreguei o carro a 7s do Marçal, que fazia uma corrida impecável, saindo do último lugar e já naquela altura em 5º. Então, após ter entregue o carro e ainda me despindo do capacete, balaclava, fones, etc, chega a notícia que havíamos sido punidos outra vez por termos feito uma parada de apenas 1:58. Sabia que ali, a corrida tinha terminado para nós. Mas ainda viria mais. OBurti eo Cris Pons se enroscaram na reta que liga o S de Alta à curva da Vitória e acabamos com um braço de suspensão quebrado. O bom disso tudo, foi que o Marçal ganhou mais uma e foi a 4ª vitória seguida dos Ginettaem Curitiba. Umavitória fantástica para a dupla Marcal/Willian e principalmente para a turma do Dragão que teve um fim de semana vitorioso depois de tantos incidentes e acidentes.

Vídeo on board do acidente
 
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