Foi um fim de semana de aventuras

De repente me achei numa corrida sem conhecer a pista e sem enxergar nada para frente. Estranho , não é?
Vou explicar. O evento da Fórmula Indy aqui em São Paulo exige que algumas ruas da cidade sejam fechadas ao tráfego do dia a dia. Então só pudemos ir para a pista no sábado. Eram dois treinos de 25 minutos, sendo que um deles com os GT3 andando junto com os GT4. Decidimos que eu entraria primeiro e o Burti faria o segundo treino, por causa da maior experiência dele. Mas estávamos estreando um novo painel AIM no Ginetta 81 e aí começaram as nossas dores de cabeça. Estava difícil fazer a coisa funcionar a contento, pois a central eletrônica é da MOTEC e sismava em não reconhecer os comandos do AIM. Além disso, descobriu-se um defeito no botão do limitador (funciona para impedir que o piloto passe de uma determinada velocidade- Por exemplo na entrada e saída dos boxes), de sorte que quando saí dos boxes para o primeiro treino o carro não passava de 60 Km/H. Não conseguimos resolver e o treino acabou sem que eu pudesse andar, ou melhor correr, com o carro.

No sábado, após a classificação, quem larga é o Burti. Lógico que classificamos em último, porque descobrimos, mais tarde, que desligando a chave geral a Central dava “reset” Travava o carro em 60 Km/H.
Assim, o Burti ia largar e eu ia entrar no meio da corrida, enfrentando um traçado que não conhecia, não tinha referências pra freiadas, tangências, enfim, nada.
O Burti ainda deu um esbarrão em uma Maserati, o que acabou por produzir um furo no radiador, o que fazia borrifar um líquido misturado com óleo , porque todos os respiros de óleo estavam direcionados para um recipiente perto do motor. Aquilo foi piorando, volta a volta, até zerar minha visão. Uma hora destas vou colocar as imagens da câmera “on board” e vocês poderão conferir que eu não estou mentindo. Não havia como usar o limpador de parabrisas, porque com a mistura que impregnava o vidro ia ficar pior. Além de tudo o sol estava incidindo bem na nossa cara e simplesmente espalhava sua luz como quando se liga os faróis altos na neblina. Um verdadeiro inferno. E eu tentava desesperadamente levar o carro até o final da corrida. Em um momento, perdi a freada no final da reta maior. Retornei e umas voltas depois, vazei de novo, no mesmo lugar. Em seguida, na mesma reta, pensando estar no meio da pista, senti um baque e um barulho de batida; era eu que tinha tocado o muro, a 210 km/h.
Aí pensei, não dá mais. Vou acabar estragando o carro ou a mim mesmo e decidi entrar, faltando duas voltas para o final, em 5o lugar. Um pecado. Acabamos em 9º.

No domingo, tudo haveria de ser diferente.
Bem, ainda tínhamos os problemas eletrônicos, que me davam uma saudade imensa do carburador. Mas pelo menos aprendemos a lidar com eles. Limitamos o carro a 300km/h e não o desligamos mais na chave geral.
Era dia de eu largar. Larguei atrás do Marçal e de uma Maserati, ainda aprendendo a pista, pois em nenhuma das voltas que dei anteriormente, pude me dedicar a decorá-la e estabelecer as referências.
Virava tempo de mulher grávida, como diz o Manelão. Tinha medo de buscar o limite e encontrá-lo sob a forma de muro, quebrando alguma peça que seria muito importante para nossa próxima corrida, dia 22/05 , em Curitiba.

Entreguei o carro para o Burti, acredito que naquele momento, em 8º ou 9º lugar e o garoto simplesmente derreteu. Literalmente! Chegou com o carro em chamas, em 6º.
Algum vazamento de óleo, deixou em contato o líquido com o escapamento e aí pegou fogo.
O Burti gritando que o carro estava pegando fogo e os bombeiros olhando, sem fazer NADA. Então um apareceu com um extintor e tentava fazer com que o pó químico chegasse ao carro mantendo uma distância segura, de uns 4 m. Aí o Burti teve que tirar o extintor da mão do valente soldado do fogo e apagar sozinho o incêndio.

Foi um fim de semana de aventuras.
Mas foi muito bom ter estado lá com o pessoal da Indy. Uma experiência nova para mim que nunca tinha andado em circuito de rua. Um público muito bom, de cerca de 40 mil pessoas vendo a gente ali e uma tremenda exibição dos patrocinadores.
Só tenho a agradecer à Crystal e à Krones pela oportunidade que nos proporcionaram.

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