Que viveu tem saudades…

As pessoas que me conhecem sabem do meu gosto por carros clássicos, tanto de pista como também os de rua.

Mini Cooper

Gosto sobremaneira dos carros da década de 60, onde acho que, como as demais artes, o “design” internacional chegou ao seu ápice. Não é a toa que vários projetos que hoje são denominados retrô, baseiam-se em desenhos daquela década. Temos o Mini Cooper, hoje na mão da BMW, o Camaro, o Dodge Challenger, o Mustang, Ford GT e um desenho que resiste desde seu lançamento em 1964, o Porsche 911.

Os estúdios de desenho automobilístico, notadamente os da Itália, faziam seus respectivos nomes crescerem e inspiravam as pessoas pelo mundo todo. Bertone, Ghia, Italdesign do Giorgeto Giugiaro, Pininfarina, quem não ouviu o nome de pelo menos, um desses estúdios?

Alguns carros daquela época, hoje. Valem verdadeiras fortunas. Os AC Cobra que ficaram famosos nas mãos de Carrol Shelby , os Mercedes Benz S coupe, apelidados de Charuto, super aristocráticos e charmosos.

 


Poucos desses carros, entretanto, na minha opinião, tiveram histórias tão exóticas como o do maravilhoso Lamborghini Miura. Desenhado pelo genial Marcelo Gandini, teve seu projeto mecânico idealizado pelos “top engineers” , Gian Paolo Dallara, Paolo Stanzani, e Bob Wallace, que revolucionaram a indústria automobilística da época, com varias soluções, até então utilizadas somente em carros de corrida.

Foi o primeiro carro de rua a utilizar motor central e transversal. E que motor! Doze cilindros em V a 60 graus, que na edição de lançamento a P400, rendia 350 HP. Se existe um carro que pode ser considerado uma obra de arte, esse carro é o Miura. E o barulho?! Simplesmente não é barulho, é música que sai das entranhas daqueles doze cilindros. Quem teve a oportunidade de conhecer o caro de perto, jamais vai esquecer o som daquele motor.

Tanto assim, que o acro que fora lançado no salão de Genebra de 1966, foi levado por Ferruccio Lamborghini ao Grande Prêmio de Mônaco de Fórmula 1 daquele ano e colocado ali na calçada do Casino, do lado do Café de Paris durante os quatro dias de festa no Principado.

Ferruccio sabia o que tinha nas mãos. Havia atingido a sua meta de superar as Ferrari com aquele carro que, ele sabia, ser fantástico. Pagava para um felizardo ligar o carro de tempo em tempo para que os freqüentadores do Hotel de Paris, do Café de Paris e do Casino, ouvissem aquela música maravilhosa. Dizem que vendeu quase  toda a produção do ano naqueles dias. Gênio.

Andar com o carro era uma experiência única para seus felizes proprietários; única a cada vez que se entrava nele ligava o motor, sempre bravo, com um comando de válvulas arisco. Baixo ao extremo, não era fácil para os mais altos se acomodarem dentro do habitáculo. Decididamente não foi feito para as ruas e o trânsito brasileiros. Era literalmente um carro para pouquíssimos.

Foi fabricado de 1966 até 1973, muito embora alguns noticiem seu final em 1972. Mas existe um exemplar entre nós, em um museu particular no interior de São Paulo, fabricado em 1973.

É engraçada a efervescência cultural dos anos sessenta. Na música, na literatura, na política, em todos os aspectos culturais, enfim, e no desenho automobilístico não foi diferente.

Que viveu tem saudades e quem não viveu acha que a Ferrari 458, Obama, Justin Bieber  e Paulo Coelho são ápices da nossa cultura . Mas nesse mérito eu não vou entrar.

 

Carlos Burza

 

 

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  1. #1 por Alysson Vilela em 11/03/2011 - 09:09

    Que Texto espetácular! como eu queria ter vivido essa época.
    Parabéns pelo belo Texto.
    Texto esse feito por uma pessoa que tem uma grande paixão pelo automobilismo.

    • #2 por Carlos A. Burza em 15/03/2011 - 23:41

      Obrigado, garoto.

  2. #3 por Rafael Gaspar em 23/03/2011 - 02:47

    Ô época que eu queria ter vivido… sem palavras… Parabéns Pelo texto, muito bom!! Abraços

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